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Venezuela enfrenta um mês de tensões políticas, econômicas e sociais




Renata Giraldi
da Agência Brasil

Apenas neste mês o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou a desvalorização da moeda nacional em relação ao dólar, a implementação do câmbio duplo, a substituição de assessores diretos que renunciaram aos cargos e ainda enfrenta uma onda de protestos no país. A instabilidade política venezuelana ganhou ainda mais um elemento: o agravamento da crise econômica causada pelo desabastecimento de energia, água e alimentos.

As dificuldades do governo Chávez se acentuaram no ano passado. Em dezembro, o presidente foi à televisão informar as dificuldades enfrentadas no setor de energia e água por causa da falta da chuva. Houve redução dos níveis da água na Barragem Guri – a principal do país. Na unidade está o complexo hidrelétrico que produz 70% da eletricidade na Venezuela.

O estrangulamento, segundo especialistas, pode ocorrer em abril. Com isso, houve planos de racionamento de energia e projeções para cortes diários e semanais do abastecimento nas principais cidades do país.

Em seguida, Chávez anunciou a desvalorização do bolívar em relação ao dólar e o câmbio duplo. Segundo o governo, o bolívar valerá 2,15 por dólar a 2,60 para setores, como saúde e alimentação, mas será cotado a 4,30 bolívares para artigos que não sejam de primeira necessidade.

De acordo com o governo, as compras relativas a essas áreas e todas as importações do setor público, assim como as remessas, vão usar o câmbio de 2,60 bolívares por dólar. Porém, outros serviços e mercadorias, como automóveis, telecomunicações, fumo, bebidas, produtos químicos, petroquímicos e eletrônicos terão uma taxa de câmbio de 4,30 bolívares por dólar

No começo da última semana, surpreendendo interna e externamente, o vice-presidente da República e ministro da Defesa, Ramón Carrizalez, pediu demissão dos cargos alegando questões “estritamente pessoais”. Assim como ele, a mulher de Carrizalez, a ministra do Meio Ambiente, Yubirí Ortega, renunciou. Depois foi a vez do do presidente do Banco Central da Venezuela, Eugenio Vazquez Orellana. As baixas obrigaram Chávez a escolher rapidamente os substitutos.

Em meio às confusões políticas e econômicas, Chávez determinou a suspensão dos sinais de transmissão de seis canais de televisão, incluindo o popular RCTV. A decisão provocou uma onda de protestos que começou no último domingo (24) e estendeu-se durante a semana. Estudantes tomaram a frente das manifestações.

Durante as manifestações houve confrontos nas ruas das principais cidades da Venezuela. O saldo foi de dois mortos e 11 feridos, segundo dados oficiais. Para os manifestantes, Chávez tenta conter a liberdade de expressão. O governo se defende afirmando que as redes de televisão descumpriram regras para a transmissão da programação.

01.02.10 11:58

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