Presidente da Fiesp manifesta a Meirelles preocupação com possível aumento de juros
Elaine Patricia Cruz
da Agência da Brasil
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) Paulo Skaf voltou hoje (11) a criticar a possibilidade de um aumento na taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Econômica (Copom).
Na manhã de hoje, Skaf conversou pelo telefone com o presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles. Ele manifestou sua preocupação com o possível aumento da taxa de juros e reclamou do spread bancário que, em sua opinião, está muito elevado.
Para reforçar sua opinião contrária ao aumento da taxa de juros, Skaf enviou ao presidente do BC um estudo feito pelo Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp.
O estudo, apresentado hoje pela Fiesp a técnicos do Banco Central, diz que não há motivos para o acréscimo na taxa Selic para conter a inflação. Segundo o trabalho realizado pela entidade, 80% da inflação acumulada no início de 2010 se deve a fatores sazonais mais agudos e que vão se reduzir naturalmente com a entrada da safra, tais como o preço do álcool e de hortaliças.
Outros fatores que contribuíram para a inflação do início deste ano, de acordo com a Fiesp, foram os reajustes nas tarifas de transporte público (ônibus, metrôs e trens) e nas mensalidades escolares. A entidade assinala que esses reajustes foram passageiros e só ocorrem uma vez por ano.
“O início de 2010 trouxe um aumento transitório da inflação e as condições de evolução da demanda e da capacidade produtiva do Brasil estão adequadas ao crescimento de 6% no ano, de forma que não há motivos para aumentos da taxa básica de juros da economia”, diz o estudo.
Para a Fiesp, o controle inflacionário deveria ser feito não com o aumento da taxa de juros, mas com uma política fiscal mais austera, com meta de superávit primário de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Skaf classifica de absurda possibilidade de aumento na taxa de juros
Elaine Patricia Cruz
da Agência Brasil
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou hoje (10) que a indústria paulista está unida na defesa da permanência dos juros no atual patamar. Segundo Skaf, que participou de reunião do Conselho Superior Estratégico da Fiesp, os empresários e industriais acham que não há razão para aumentar a taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), programada para a semana que vem.
Skaf disse acreditar que neste ano ainda haja reflexos da crise financeira em todo o mundo. No Brasil, apesar da expectativa de crescimento em torno de 5% ou 6%, isso deve continuar se refletindo em queda das exportações e em uma redução do superávit, destacou. Na opinião de Skaf, nesse “cenário de incertezas”, a economia brasileira deveria continuar contando com a demanda no mercado interno, que será afetada se a taxa de juros aumentar na próxima semana.
“Com essas incertezas, o que há de positivo é a demanda, é haver pessoas interessadas em comprar. A demanda gera investimentos, e investimentos geram empregos. Aí se tem um ciclo virtuoso”, ressaltou Skaf. Para ele, aumentar a taxa de juros nesse momento seria “um absurdo” e “um desastre”.
“O que precisamos é de demanda. Precisamos de cliente comprando", afirmou o presidente da Fiesp. Skaf lembrou que os gastos públicos aumentaram e que, nos últimos 12 meses, foram pagos R$ 165 bilhões de juros, o que, para ele, é um absurdo. Há também o problema da sobrevalorização do real e, com juros mais altos, atrai-se mais capital especulativo, o que prejudica a competitividade brasileira. Se o Banco Central aumentar os juros, o consumo será desestimulado sem necessidade, acrescentou.
Amanhã (11), o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, receberá em São Paulo o presidente da Fiesp. No encontro, o ponto central deverá ser a taxa de juros.