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Reduz a inadimplência no Sistema de Consórcios no último ano

Na contramão do endividamento familiar

Modalidade fecha semestre em alta de quase 15% nas adesões, com mais de 26% nos negócios realizados e anota crescimento de consorciados


Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC - Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios

A crescente conscientização sobre a essência da educação financeira, um dos objetivos da Agenda BC+ do Banco Central, vem provocando mudanças positivas no comportamento dos consumidores quanto ao cumprimento de responsabilidades assumidos.

Paralelamente, face a elevação do endividamento familiar contraído no último ano, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e, considerando ainda o total de pessoas desempregadas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Sistema de Consórcios, na contramão dessa tendência, registrou queda no índice de inadimplência entre os consorciados ativos e de posse de seus bens no período compreendido entre abril de 2018 e o de 2019.

Enquanto naquele mês do ano passado a inadimplência média no segmento consorcial, incluindo todos os setores onde o consórcio está presente [veículos leves, veículos pesados, motocicletas, imóveis, serviços e eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis], era de 7,00%, em abril último caiu 0,77 ponto percentual, chegando em 6,23%. Um mês antes, em março, esteve em 6,32%.


"A inadimplência, como um todo, é consequência da redução da atividade econômica do país, mais precisamente do não cumprimento das obrigações financeiras do consumidor face às dificuldades enfrentadas no dia a dia", explica Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios. "No caso dos consórcios, observou-se que, com o avanço do conhecimento sobre educação financeira, quando da adesão ao mecanismo, os interessados têm considerado principalmente o planejamento orçamentário para assumir novos compromissos, situação que por si já os diferencia no futuro cumprimento mensal dos pagamentos".

Ao gerenciar suas finanças pessoais e optar pelo mecanismo, o consorciado analisa as características existentes na modalidade como custo final adequado e acessível ao seu perfil de consumidor planejador. Também avalia o parcelamento integral, diversidade de prazos de pagamento, possibilidade mensal de obtenção do crédito por meio de sorteio ou de aceleração da contemplação por meio de lances, flexibilidade do uso do crédito, oportunidade de formação ou de ampliação patrimonial e, em especial, do poder de compra à vista quando contemplado.

Dados recentes levantados pela assessoria econômica da ABAC junto ao Banco Central do Brasil mostraram reduções em todos os setores, nos quais o consórcio está presente. A maior retração foi no setor de eletroeletrônicos, cuja inadimplência caiu de 8,06% (abril/2018) para 6,14%: baixa de 1,92 ponto percentual.


"Por ainda serem credores do Sistema de Consórcios, os participantes ativos não contemplados não fazem parte do cálculo do índice", adianta Rossi. "Somente os que já estão de posse do bem ou já utilizaram os créditos de serviços, portanto, devedores, foram contabilizados", completa.

Primeiro semestre com crescimento próximo dos 15%

O Sistema de Consórcios encerrou o primeiro semestre do ano com aumento de 14,75% no acumulado de vendas de novas cotas, alcançando 1,40 milhão em comparação ao mesmo período de 2018, quando totalizou 1,22 milhão. Os negócios correspondentes atingiram R$ 61,04 bilhões (jan-jun/2019), registrando alta de 26,38% sobre os R$ 48,30 bilhões anteriores (jan-jun/2018). O tíquete médio em junho atingiu R$ 46,17 mil, 10,51% mais que os R$ 41,78 mil do mesmo mês em 2018.

As contemplações, momento dos consorciados oportunizarem seus objetivos, acumularam 605,40 mil (jan-jun/2019), 1,74% maior que as 595,07 mil (jan-jun/2018). Os créditos concedidos aos contemplados no primeiro semestre deste ano avançaram 2,83% sobre aquele período de 2018, saltando de R$ 20,12 bilhões para R$ 20,69 bilhões.

Segundo Rossi, "os seis primeiros meses reafirmaram o crescente interesse dos consumidores pelo consórcio como forma de aquisição de bens ou de contratação de serviços com planejamento e capacidade de pagamento das parcelas em prazos mais longos. Os números apenas retrataram o crescimento das adesões à modalidade, com tíquete médio maior, mostrando um comportamento cada vez mais consciente sobre responsabilidade financeira. Vale lembrar que consórcio realiza objetivos e propicia economia, em razão de ter custos mais baixos".



Retrospectiva registra recorde

Na retrospectiva dos últimos cinco anos, os dados acumulados nos semestres apresentaram as totalizações crescentes de vendas de novas cotas, anotando um novo recorde [1,40 milhão] para este ano.


Participantes atingem 7,31 milhões

No mês de junho, o Sistema de Consórcios atingiu 7,31 milhões de consorciados ativos, 4,28% acima dos 7,01 milhões observados naquele mesmo mês de 2018.

O maior número de participantes ativos esteve em Veículos Leves com 50,75%. Na sequência vieram: Motocicletas e Motonetas, com 29,95%, Imóveis, com 12,79%, Veículos Pesados, com 4,37%, Serviços, com 1,30%, e Eletroeletrônicos e Outros Bens Móveis duráveis, com 0,84%.


Vendas de novas cotas de janeiro a junho de 2019 X 2018

Os indicadores setoriais e geral do Sistema de Consórcios, relativos ao semestre apontaram crescimento nos acumulados de vendas de novas cotas tanto para bens imóveis ou móveis duráveis como para serviços.

As performances, setor a setor, registraram 617,25 mil adesões em grupos de veículos leves, 532,00 mil de motocicletas, 147,25 mil de imóveis, 41,15 mil de veículos pesados, 34,30 mil de serviços e 23,55 mil de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, totalizando 1,4 milhão de adesões.

Estes totais apontaram avanços nos seis setores: eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis (89,16%), serviços (60,28%), veículos pesados (38,79%), imóveis (20,45%), motocicletas (11,82%) e veículos leves (11,32%). Com altas ocorridas em veículos leves, veículos pesados e motocicletas, o segmento de automotores registrou aumento de 12,26%.

Setores

Veículos automotores crescem e negócios aumentam 24%

No encerramento do semestre, os indicadores do setor automobilístico, que inclui consorciados de Veículos Leves, Veículos Pesados e Motocicletas, seguiram apresentando bons resultados quando comparados com os de 2018.

A soma de participantes ativos aumentou 2,64% e, dos 6,05 milhões registrados em junho do ano passado, alcançou 6,21 milhões no deste ano. Paralelamente, as vendas de novas cotas acumularam 1,19 milhão (jan-jun/2019), 12,26% mais que as 1,06 milhão (jan-jun/2018) anteriores. Os negócios contratados também avançaram: com alta de 24,12%, no mesmo período, saltaram de R$ 31,51 bilhões para R$ 39,11 bilhões.

O acumulado de contemplações apontou estabilidade no período com aproximadamente 548,45 mil consorciados. Nos correspondentes créditos concedidos, potencialmente injetados no setor automotivo, houve aumento de 1,94%, saindo de R$ 16,50 bilhões (jan-jun/2018) para R$ 16,82 bilhões (jan-jun/2019).

Veículos leves avançaram mais de 11% em negócios

De janeiro a junho, as vendas de novas cotas de veículos leves totalizaram 617,25 mil, 11,32% mais que 554,50 mil (jan-jun/2018), com os negócios do setor avançando de R$ 23,07 bilhões para R$ 27,66 bilhões, alta de 19,90% nos mesmos períodos. O tíquete médio de junho foi de R$ 45,83 mil, 9,35% maior que os R$ 41,91 mil anteriores.

Ainda no sexto mês do ano, o total de consorciados ativos cresceu e alcançou 3,71 milhões, 3,92% acima dos passados 3,57 milhões.

O volume acumulado de contemplações no período apresentou alta de 1,69%, elevando de 281,25 mil (jan-jun/2018) para 286,00 mil (jan-jun/2019) consorciados contemplados, com os correspondentes créditos concedidos aumentado 1,57%, subindo de R$ 11,47 bilhões para R$ 11,65 bilhões, no mesmo semestre.

Na somatória dos seis meses, a potencial participação das contemplações nas vendas de veículos leves no mercado interno foi de 25,77%. Este percentual correspondeu a um veículo leve a cada quatro comercializados por meio do mecanismo.

Crescem negócios de motocicletas e motonetas

O setor das duas rodas terminou o primeiro semestre registrando alta de 11,82% nas vendas acumulando 532,00 mil novas cotas contra 475,75 mil (jan-jun/2018). Os negócios relativos às essas comercializações também aumentaram. Houve 20,71% de evolução, com salto de R$ 3,96 bilhões (jan-jun/2018) para R$ 4,78 bilhões (jan-jun/2019). Em junho, o tíquete médio das cotas dos grupos de motocicletas e motonetas, que estava em R$ 8,39 mil (jun/2018), apontou aumento de 9,42% e chegou a R$ 9,18 mil (jun/2019).

Paralelamente, a soma das contemplações no semestre apontou retração de 1,43%, resultando em 244,50 mil (jan-jun/2019) contra as anteriores 248,00 mil (jan-jun/2018). Os créditos concedidos acompanharam a redução com menos 1,13%. Diminuíram de R$ 2,65 bilhões para R$ 2,62 bilhões.

No total de consorciados ativos houve estabilidade em 2,19 milhões.

Nos seis meses, a potencial participação das contemplações nas vendas do mercado interno atingiu 46,24%, isto é quase uma moto a cada duas comercializados por meio da modalidade.

Negócios de veículos pesados aproximam-se dos 50% de alta

O setor de veículos pesados, que inclui caminhões, ônibus, tratores, implementos agrícolas e rodoviários, apresentou resultados positivos em todos os indicadores no semestre.

Ao demonstrar crescimento de 38,79% no acumulado de adesões nos seis primeiros meses com 41,15 mil unidades comercializadas sobre 29,65 mil (jan-jun/2018) anteriores, registrou também avanço de 48,66% nos negócios contratados, atingindo R$ 6,66 bilhões sobre R$ 4,48 bilhões passados. O tíquete médio chegou a R$ 164,81 mil (jun/2019) contra 151,86 mil (jun/2018): alta de 8,53%.

No encerramento do período, o total de participantes ativos ampliou-se em 9,78%, evoluindo de 291,50 mil (jun/2018) para 320,00 mil.

A somatória das contemplações montou em 17,95 mil (jan-jun/2019), 6,85% superior às 16,80 mil (jan-jun/2018) de um ano antes. Nos créditos concedidos no primeiro semestre, houve aumento de 7,59%, de R$ 2,37 bilhões para R$ 2,55 bilhões.

Contemplações de imóveis colocam quase R$3,8 bilhões no mercado

Com consorciados optando pela formação ou ampliação de patrimônio, e outros preferindo comprar imóveis para locação com o objetivo de obterem rendimentos extras e melhorarem suas rendas mensais antes ou durante a aposentadoria, os acumulados de contemplações e de créditos concedidos no setor de imóveis apresentaram alta de 6,50% em ambos.

As contemplações atingiram 37,65 mil (jan-jun/2019) contra 35,35 mil (jan-jun/2018), enquanto os créditos, potencialmente injetados no mercado imobiliário, totalizaram R$ 3,77 bilhões (jan-jun/2019) versus R$ 3,54 bilhões (jan-jun/2018).

O aumento de 9,34% do tíquete médio mensal, que era de R$ 136,53 mil (jun/2018) e chegou a R$ 149,28 mil (jun/2019), foi importante para a alta de 29,99% nos créditos contratados no acumulado semestral. O total apontou R$ 21,54 bilhões (jan-jun/2019), enquanto anteriormente era de R$ 16,57 bilhões (jan-jun/2018). As adesões também progrediram, 20,45%, com elevação de 122,25 mil (jan-jun/2018) para 147,25 mil (jan-jun/2019).

O total de participantes ativos seguiu se aproximando do milhão: no fechamento do semestre, alcançou 935,00 mil, 8,41% mais que os 862,50 mil contabilizados no final do mesmo período em 2018.

De janeiro a junho, pouco mais de 2 mil consorciados-trabalhadores, participantes dos grupos de consórcios de imóveis, utilizaram parcial ou totalmente seus saldos nas contas do FGTS, somando pouco mais de R$ 96,67 milhões, segundo o Gepas/Caixa.

Com versatilidade, serviços crescem acima de 60%

Os negócios realizados nos consórcios de serviços cresceram 73,05% em virtude da alta de 60,28% nas adesões de janeiro a junho deste ano e do aumento do tíquete médio de junho que avançou 9,41%, em relação aos mesmos períodos do ano passado.

As vendas de novas cotas avançaram para 34,30 mil (jan-jun/2019) sobre 21,40 mil (jan-jun/2018), enquanto os correspondentes negócios fechados aumentaram de R$ 158,08 milhões (jan-jun/2018) para R$ 273,56 milhões (jan-jun/2019), vinculados à alta do tíquete médio de R$ 7,44 mil (jun/2018) para R$ 8,14 mil (jun/2019)

As contemplações acumuladas no semestre atingiram 56,85% de alta sobre 2018, de 8,83 mil (jan-jun/2018) para 13,85 mil (jan-jun/2019). O volume de créditos concedidos a consorciados contemplados também subiu, 56,60%, de R$ 49,13 milhões para R$ 76,94 milhões, nos mesmos períodos.

O consórcio de serviços tem reafirmado sua importância junto aos consumidores interessados, sejam pessoas físicas ou jurídicas, principalmente por suas vantagens e características de flexibilidade e diversidade de utilizações quando das contemplações. O crescente número de consorciados alcançaram 95,00 mil (jun/2019), 50,20% superior aos 63,25 mil (jun/2018).

Eletroeletrônicos e outros bem móveis duráveis superam 100% no primeiro semestre

O setor de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis contabilizou alta de 104,70% nos negócios realizados no primeiro semestre deste ano versus o de 2018. Foram R$ 128,45 milhões contra R$ 62,75 milhões. O crescimento foi provocado pelo aumento de 89,16% nas adesões, que subiram de 12,45 mil para 23,55 mil. O tíquete médio de junho também contribuiu ao elevar-se em 9,06%. Saltou de R$ 5,08 mil para R$ 5,54 mil.

Nesse período, as contemplações totalizadas no setor acumularam 5,45 mil, aumento de 12,60% sobre as 4,84 mil do ano passado. Os correspondentes créditos concedidos aos consorciados contemplados de eletroeletrônicos somaram R$ 26,56 milhões versus R$ 25,90 milhões, com avanço de 2,55%.

O total de participantes ativos fixou-se em 65,00 mil (jun/2019), 87,05% mais que os 34,75 mil (jun/2018) anteriores.

16.08.19 14:15

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